terça-feira, 6 de maio de 2008

Grande entrevista - Dr. Joaquim da Mota e Silva


Vereador do Pelouro do desporto e cultura da Câmara Municipal de Celorico de Basto



Identificação: Joaquim Monteiro da Mota e Silva.



Curriculum: Licenciado em Gestão de Empresas na Universidade Católica, trabalhei na então Mota & Companhia, depois na Caixa Geral de Depósitos, e mais tarde acabei por assumir a actividade política a tempo inteiro, onde ocupo diversas funções executivas e vários cargos políticos. Tenho a minha vida empresarial, que tem sido prejudicada pela actividade política, que como se sabe não é profissão, mas serviço público.


Jornal Codessoso on-line: Como é que surgiu o gosto pela política?


Joaquim Mota e Silva: Desde pequeno que acompanhava o meu pai em diversas acções políticas, e acabou por surgir uma gosto pela política que se acentuou mais tarde quando tive a oportunidade de presidir à JSD de Celorico de Basto. Com a eleição para vereador a minha vida política e o gosto de fazer política acentuou-se, porque fazer coisas pela terra que nós gostamos é sempre motivador.



JC: A filiação partidária surge por ideologia política ou por influência familiar?


JMS: Primeiro por influência familiar, mas mais tarde por convicções políticas, por perceber que o PSD sempre possuiu uma vocação reformista, no caminho de melhorar a nossa sociedade, por contra-ponto do PS, que tem a vocação de defesa dos interesses instalados.



JC: Foi Deputado à Assembleia da República pelo círculo de Braga. Essa experiência foi importante para o desempenho das funções de Vereador na Câmara de Celorico de Basto?


JMS: Ganhei bastante experiência política enquanto Deputado, e bastantes conhecimentos de natureza pessoal, que têm sido úteis na defesa dos interesses do município de Celorico de Basto. Também na altura aproveitei para fazer diversas acções, das quais destaco o projecto-lei que apresentei para convergência da economia desta região em relação à media nacional.



JC: Ainda exerce funções na Distrital do PSD de Braga?


JMS: Sou o Secretário-Geral da distrital de Braga do PSD, depois de ter sido tesoureiro, e anteriormente vogal. Trabalhei com três presidentes, e tenho continuado o meu percurso de lealdade e coerência.



JC: Como é do seu conhecimento, por Protocolo celebrado entre a Câmara Municipal e a Refer, foram as antigas infra-estruturas do caminho de ferro da Linha do Tâmega (Estações), transferidas para a jurisdição do Município. Fala-se na construção de uma ciclo-via. Este projecto é para avançar?


JMS: Estamos neste momento a enquadrar o processo de candidatura da eco-pista, no âmbito do QREN, estando também a Câmara Municipal a desenvolver o projecto, cujos valores de intervenção deverão rondar os cinco milhões de euros. Esta obra é muito importante na lógica de desenvolvimento do concelho nas vertentes do turismo, lazer, cultura, desporto, e meio ambiente.



JC: Não é um risco fazer um investimento de milhões de euros, quando não é previsível a sua rentabilização, face à má experiência de um projecto idêntico na zona de Famalicão?


JMS: A nossa região tem um potencial enorme ao nível do turismo, e este equipamento será um grande apoio a este vector, bem como permitirá a recuperação das estações, apeadeiros, e do antigo canal ferroviário, que nunca se sabe se poderá no longo prazo, vir a servir o fim para o qual foi inicialmente construído.



JC: Como sabe, a prática de desporto no concelho não tinha grande visibilidade, limitava-se essencialmente aos torneios de Verão, nomeadamente, futebol de praia e outros pequenos torneios em outras modalidades desportivas, mas faltava uma grande prova desportiva que envolvesse directamente as várias freguesias do município:

Foi no fundo esta a génese que esteve na origem da criação da Liga de Futsal?


JMS: Em poucos anos demos um grande salto em diversas áreas, entre as quais o desporto. Incentivamos o desporto de formação em diversas modalidades, apoiamos o desporto escolar, construímos novos equipamentos desportivos, e promovemos uma série de eventos, dos quais sem dúvida a Liga de Futsal é um bom exemplo. Pretendo o apoio ao desporto escolar, de formação, de competição, e de manutenção, independentemente da idade e do sexo. Penso que estamos no bom caminho.



JC: E porque não um campeonato de futebol de 11?


JMS: E por que não. Pela minha parte, no desporto, fundei o Basket Clube de Celorico, o Mota Futebol Clube, a Associação de Ciclismo de Celorico de Basto, e a Associação de Futsal de celorico de Basto. Muitos me criticam por estar em muitas entidades e associações, mas a verdade é que estou porque fui eu quem as criou, e não os que criticam. Estou sempre disponível a apoiar pessoas ou entidades com ideias que julgue válidas para o desenvolvimento económico e social do concelho. Criticam-me por estar em muita coisa, felizmente não me criticam por estar em lado nenhum ou fazer pouco.



JC: Foi essa a preocupação que levou a Câmara Municipal a desenvolver a criação de infra-estruturas desportivas, como o Polidesportivo de Codessoso?


JMS: Queremos dar boas condições às freguesias, para que se possam desenvolver actividades desportivas, culturais, recreativas, e de índole social, por parte das forças vivas das freguesias, e no caso de Codessoso, sei que a Junta de freguesia e as Associações locais estão a aproveitar da melhor maneira os novos equipamentos que vão sendo construídos.



JC: Que análise faz da primeira edição da Liga Super C de Celorico de Basto?


JMS: Penso que correu muito bem, com uma representatividade muito abrangente ao nível das freguesias do concelho, sendo que houve equipas de 16 freguesias. O número de atletas, dirigentes, e público envolvidos deixou-me muito feliz com esta primeira edição, deixando a impressão que a próxima edição terá um nível semelhante ou superior, pelo menos estamos a trabalhar para isso.



JC: Como sabe a Rebat apoia várias Associações fora da freguesia, como membro do Conselho de Administração, como explica o facto da mesma instituição ignorar o pedido de patrocínio do GDC?


JMS: Ainda não foi discutido algum apoio ao GDC em Conselho de Administração da REBAT, contudo comprometo-me a levar em mão tal pedido, se o mesmo me for solicitado.



JC: O GDC desenvolve inúmeras actividades para além do futebol, e recebe anualmente cerca de 500,00 €, isto é, o mesmo que recebe outras Associações com menos iniciativas e com menos capacidade de mobilização da população.

Quais são os critérios de atribuição de subsídios às colectividades do Município?


JMS: Julgo que na sequência das ultimas reuniões estabelecidas com a direcção do GDC, ficou demonstrado que a Câmara Municipal apoia e valoriza claramente as colectividades que mais trabalham e mais se esforçam, como é o exemplo crescente do GDC.



JC: A Câmara apoia fortemente o Mota SAD, o que permitiu que o clube se federasse para participar nas provas oficiais, quando não dispõe de infra-estruturas desportivas, pois está a disputar os jogos em Agilde. Por informações que apuramos, os jogos em casa tem “meia dúzia” de pessoas na assistência, comparado com as dezenas de pessoas que o GDC arrastava nos jogos da Liga de Futsal.

Porque motivo a Câmara não aposta em equipas como o GDC ou o Canedo, que tem condições mínimas para a organização dos jogos (campo de futebol e balneários) de futebol de 11 ?


JMS: No concelho de Celorico de Basto, existe uma política de concentração de alguns equipamentos de maior dimensão nos pólos urbanos de Celorico, da Gandarela, de Fermil, e da Mota, por forma a que estes sirvam de forma racional as freguesias envolventes. Assim acontece na educação, na saúde, na protecção civil, no comércio e serviços. A Câmara Municipal pretende que a mesma dinâmica se estenda ao nível desportivo, dado existirem clubes nos 4 pólos urbanos referidos. Com o novo Estádio Municipal e a remodelação do parque de jogos do FC. Gandarela, será necessário melhorar as instalações do SC Fermilense, bem como criar um espaço desportivo na Mota, que permita servir as freguesias envolventes com dignidade, e transforme a referida ”meia duzia” de assistentes em muitos. Na vida, a diferença entre as pessoas, resulta em muitos casos da dificuldade em certas pessoas verem no presente aquilo que será, para todos, óbvio no futuro. Quanto ao apoio da Câmara ao Mota FC, este é o mais pequeno relativamente aos outros clubes a disputar campeonatos oficiais, estando a Câmara aberta a encarar novos projectos de equipas de futebol de 11, à devida escala, ou seja, no âmbito de freguesia, e não no âmbito de um conjunto de freguesias, como é o caso dos quatro clubes existentes.



JC: Ao apoiar estas equipas não estaria de certa forma a promover o desporto e a descentralizar o futebol de 11, que se concentra no Celoricense, Gandarela e Fermil?


JMS: Penso que ao responder à questão anterior, acabei por responder a esta, reafirmando que nunca o desporto teve tanta força no nosso concelho e em todas as suas freguesias, incluindo a minha freguesia natal de Codessoso.



JC: Como é que está o projecto da construção do Centro de Dia em Codessoso?


JMS: Como se sabe, encontra-se em fase de construção, tendo havido grandes dificuldades em ajustar a melhor solução para as fundações do edifício a construir, dado ter havido sucessivos aterros que criaram sérias dificuldades em termos de engenharia, bem como o cabo de média tensão da EDP, que apesar de ter sido elevado, continuou a condicionar as soluções para as fundações.



JC: Qual é a previsão da entrada em funcionamento?


JMS: Dentro de um ano deverá estar concluída a sua construção, e será um grande orgulho para mim enquanto presidente da Associação de Solidariedade de Sto. André de Codessoso, e para todos aqueles que gostam e sentem o pulsar da freguesia.



JC: Uma questão polémica foi o encerramento da Escola Primária. As crianças da freguesia têm agora de fazer 9 kms para ir às aulas a Celorico de Basto. O povo da freguesia acusa a Câmara de nada fazer para impedir o seu encerramento, que comentário lhe merece?


JMS: Como é do conhecimento público, o ministério da educação de Portugal, determinou o encerramento de escolas primárias com menos de 20 alunos, em todo o país, sem qualquer excepção. Assim sendo, e como em Codessoso a escola possuía menos de 20 alunos, o governo mandou cumprir a sua determinação, e a Câmara Municipal ainda teve de ficar com o encargo de transportar as crianças. Aconteceu assim em todo o lado, mas contudo eu compreendo a tristeza de ver fechar a escola por onde muitos de nós passamos, onde inclusive o meu pai foi professor e a minha irmã foi aluna.



JC: É apontado como o sucessor do seu pai na presidência da Câmara Municipal de Celorico de Basto.

Quer comentar?


JMS: É verdade que já falam de mim como futuro presidente da Câmara Municipal à mais de 10 anos, e pelo meio penso que fiz coisas boas por Celorico, apesar de ter sido convidado para vários cargos, ao longo dos anos, para fora do concelho. Em política é preciso perceber que as pessoas só vão para certos cargos, em primeiro lugar por vontade própria e do seu partido, e depois por vontade do eleitorado, mas eu ainda estou no aspecto da vontade própria. Penso que nos oito anos que levo como vereador a tempo inteiro, dei o meu melhor ao nosso concelho, e sinceramente pondero outros desafios que me aliciam a nível externo, contudo adoro a minha terra e estarei sempre preparado para defender os seus interesses, seja em que função for. Se não fosse filho de presidente, bastaria ter feito um terço do que fiz, para ser mais bem reconhecido. Mas sinto que existem muitas pessoas que confiam nas minhas capacidades e valorizam o meu trabalho, e é isso que me tem incentivado, mesmo nos momentos mais difíceis, em que tentaram meter-se na minha vida privada, e destruir a minha vida política.



JC: Que mensagem gostaria de deixar ao povo de Codessoso?


JMS: Sou suspeito para falar de Codessoso, porque sou natural e vivi os primeiros tempos da minha vida em Codessoso, além disso o meu pai e parte da minha família são desta freguesia, contudo julgo que a freguesia tem um potencial enorme, ao nível da localização, da sua rara beleza, e do espírito de iniciativa das pessoas. Desta freguesia saíram grandes homens, e nesta freguesia vivem pessoas de grande caracter e nobreza. Acredito no futuro da freguesia e no seu crescimento, através dos seus novos equipamentos e de novas ideias que pretendo lançar para enquadrar Codessoso em projectos que tenham a ver com os nossos principais eixos de desenvolvimento: turismo, lazer, cultura, desporto, e meio ambiente. Conheço muito bem a freguesia e por isso, em articulação com as entidades locais, havemos de levar por diante mais iniciativas que melhorem a qualidade de vida das pessoas de Codessoso. Sou um optimista por natureza e convicção.
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Director

5 comentários:

Anónimo disse...

é de dar os parabens a uma pessoa, como o DR.Joaquim Monteiro da Mota e Silva... Intelegente, lUTADOR que muito faz pela nossa terra.
abraço

Anónimo disse...

É de felicitar o Dr. Joaquim pelo seu enpenho e dedicação.

Joana Teixeira disse...

Aos inergúmenos que nem escrever sabem, e que apoiam cegamente estas palavras megalómanas e cínicas deste indíviduo, por favor, abram os olhos, pelo bem de Celorico de Basto. Primeiro lugar, isto não é uma monarquia! Segundo lugar, a censura e repressão dos eleitores de facção partidária contrária são do tempo de Salazar.

Evoluam, meus caros.

Anónimo disse...

cinica és tu. por acaso conheces o interior desta pessoa para falares assim dele. Deve te doer alguma coisa.
Lutador, amigo, inteligente, e com bom coração. E com capacidades que é de fazer doer a qualquer um.

Joana Teixeira disse...

Meu caro "anónimo":
1º Quando falo em "monarquia" e em "censura" e "repressão", sei muito bem do que estou a falar. Eu presenciei coisas que o senhor "Anónimo", fechado na sua redoma de vidro intocável, não presenciou.
2º "Lutador" - "Oh sim, o meu pai é Presidente da Câmara, que dificuldade enorme que eu vou ter para ocupar o mesmo lugar!!!" ... Assholes!
3º "Inteligente" - "Oh sim, tirei o meu cursozeco numa privada, sou o mais inteligente do país, quiçá do mundo!" ... WTF?!
4º "Amigo" e "com bom coração" - Oh meu deus!! Que qualidades pouco comuns!! É que ninguém as possui, ele deve ser um presbítero!!
5º Já deixava de lamber as botas a este senhor. Ou a qualquer pessoa, no geral. Conhece a palavra "dignidade"? Eu traduzo: "vergonha na cara".
6º Já aprendia a escrever.
7º Já aprendia a dar cara.